“Se quer alguém por sua beleza, não é amor, é desejo. Se quer alguém por sua inteligência, não é amor, é admiração. Se quer alguém porque é rico, não é amor, é interesse. Se quer alguém e não sabe porque, isso é amor.”
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Ensinamento
Boa noite, gente. Aqui quem fala novamente é a Violeta. Como já disse, uma simples ação na vida de uma criança, às vezes que você ache uma coisa tola, não é. Por isso, eduque. Entenda o que a criança quer, mas aprenda principalmente a por limites na vida dela. Espero que gostem dessa frase que eu achei linda, sobre o amor. Quanto ao amor, gente, dê valor a si mesmo e principalmente a amar o outro do jeito que é. Bjs: Violeta
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Histórias de ave
Era domingo.
Daqueles domingos em que a claridade torna o dia tão radiante que nem os prédios erguidos ao redor das casas conseguem ofuscar o brilho! Estranho como domingo tem expressão, tem personalidade! Ninguém confunde este dia com outro, porque domingo tem cara de domingo e nada mais.
Domingo é domingo em todos os lugares do mundo, até nas grandes metrópoles. E foi lá na capital, no meio do caos, onde casas atrevidas insistiam em afrontar os arranha-céus com suas presenças, que aconteceu um achado!
Sannga acabava de acordar. Espreguiçou, saiu lentamente da cama, foi até a janela inspirou, expirou, fechou os olhos e deixou o calor aquecer suas faces. Como era gostoso! Como era bom se esticar! Continuaria no enlevo não fosse pelo barulho de algo que passou raspando pelo seu corpo e caiu debaixo da janela. Curiosa, apurou a visão e, logo viu: No meio da grama um filhotinho de pássaro contorcia-se tentando levantar-se.
Pobrezinho! De onde teria caído? Onde estariam seus pais e como teria saído do ninho? Sannga menina, quase mocinha, pulou pela janela e recolheu a criaturinha, cujos olhos ainda nem tinham aberto. Um bebê pássaro. Um bebê que se encolhia dando a entender que queria voltar para o ninho e era de dar dó.
A menina olhou para cima, procurou, mas não conseguiu atinar de onde ele caiu. Havia uma árvore, alta, folhas estreitas que deixavam os raios de sol atravessá-las. Os olhos de Sannga investigaram os galhos para encontrar um vestígio da mamãe pássara em busca do filhote... mas nada!
Pesarosa, ela o acolheu e levou-o para dentro, confortando-o. Seus pais ajudaram a armar uma caminha de algodão dentro de uma caixa de sapatos, onde o pequeno asado se acomodou e, imediatamente, abriu o bico pedindo comida.
Estava faminto e fazia-se entender.
Sannga preparou uma papa e, com um palito de picolé, o alimentou. Depois o aconchegou no peito acariciando, suavemente, sua cabecinha. Tão suave que, o pequeno filhote, mostrando-se tranqüilo e contente com o carinho, permitiu durante semanas que o ritual se repetisse criando um laço de grande amizade.
Sannga ainda não sabia a identidade de seu amiguinho e decidiu chamá-lo de Elliot.
Ah! Elliot era um lindo nome! Nome que dava a sensação de amigo afável e inseparável. Tipo de amigo que nos acolhe nas alegrias e nas tristezas. Nome que, lembrava talvez, personagem de romance que enleva e deixa uma sensação de ternura que perdura por dias e dias.
Sim, ele era Elliot.
Com tanta comida boa, alpiste do bom, frutas fresquinhas, Elliot logo se revelou: Era um sabiá. Um lindo sabiá que cantava maravilhosamente e que crescia dentro da casa sem que Sannga o aprisionasse.
Durante o dia, ele seguia Sannga por onde quer que ela fosse. Sem ela, Elliot não ia para longe. Ficava se divertindo voando da casa para as árvores próximas e vice-versa e, à noite, ele mesmo escolhia onde dormir. No começo, ela pensou que ele pudesse querer ir dormir na árvore. Ele não quis. Ficou, uma vez, até findar a tarde e antes que escurecesse voltou e foi para o poleiro que Sannga havia adaptado na parede do quarto, ao lado de sua cama.
Ela queria vê-lo solto. Se um dia Elliot fosse embora, doeria, mas ela não impediria o vôo de sua liberdade. Assim, ele sempre voltava para a moça a quem, provavelmente, considerava sua família, seu bando, sua referência.
Pela região, todos os vizinhos o conheciam. Estavam acostumados a vê-lo no ombro de Sannga quando ela ia à padaria. Ele gostava de brincar e voar pelas árvores do parque ao lado, mas quando as pessoas o viam, não o confundiam com outros sabiás por causa do seu jeito manso. Todos sabiam que ele era “o Elliot da Sannga”.
Ele trouxe mais alegria para sua casa, dizia Petrônio, pai de Sannga, que também não se cansava de adular o pássaro. Elliot trouxe sorte.
Sim, trouxe, pois todos tinham mais sorrisos e mais disposição para trabalhar. E que dizer da cantoria que ele fazia todas as madrugadas? Ao primeiro sinal de claridade ele já dava seu primeiro gorjeio e, em seguida, emendava com uma bela melodia.
Sabiá laranjeira, diziam os mais sabidos. Um sabiá laranjeira que canta fora da laranjeira, brincavam os galhofeiros, mas a verdade é que todos o conheciam e a admiração de todos fazia com que ele fosse protegido pela atenção e cuidado coletivo.
Elliot ficou íntimo de todos da casa. Quem diria! Ele gostava de comer frutas ou jiló, bem ali na mesa junto às pessoas. Afinal ele era da família e fazia por merecer. Ele era o despertador oficial e musical que não deixava ninguém perder a hora do trabalho. Nos finais de tarde, depois que Sannga voltava, porque não tirar um cochilo em seu peito enquanto ela via seu programa predileto de tv?
Petrônio, em certas ocasiões, convidava amigos para fazerem churrasco. Numa dessas ocasiões Elliot resolveu implicar com André, amigo de Petrônio.
Não podia vê-lo. Fazia questão de sobrevoar sua cabeça dando rasantes e, de vez em quando, dava um jeito de fazer cocô nas costas ou no colo de André. Jandira, mãe de Sannga achava muita graça. Estranho... ela também não gostava de André que se mostrava cético com o pássaro. André parecia-se com as pessoas que perderam a crença na vida e que só se importavam com o dinheiro. Pessoas para quem o mundo financeiro ocupava o maior espaço e a maior atenção.
Ele era muito amigo de Petrônio, mas tratava Jandira à distância como se o universo feminino não fosse relevante para ele, ou como se ele julgasse a figura feminina inferior à força masculina. Provavelmente, em seu íntimo, criticava todos da casa por tratarem Elliot como um igual.
Tais deduções faziam com que Jandira realmente desejasse que ele se afastasse. Claro que ela não podia fazer cocô nele, mas se deliciava e se realizava com as atitudes de Elliot que não deixava por menos.
Petrônio vivia se gabando do canto de Elliot e, certa vez, apostou com os amigos que Elliot cantaria se Sannga cantasse também. Havia muita animação na brincadeira e Petrônio dava a aposta como ganha.
Sannga chegou trazendo Elliot no ombro. Ele havia tomado banho e untava as penas num ritual descontraído. Sannga riu da aposta. Ela conhecia Elliot e sabendo que ele detestava André, duvidava bastante de que ele soltasse um pio aonde André estivesse.
Quando Elliot viu André, saiu do ombro de Sannga, fez um círculo no ar e, ao passar sobre a cabeça de André, soltou sua carga de dejetos intestinais. Apenas casualidade? Mesmo assim todos riram com a implicância, sem motivo aparente, de Elliot.
Petrônio pediu a Sannga e ela cantou, mas Elliot permaneceu mudo e, logo, voou para a árvore mais próxima. Os amigos fizeram bagunça e deram risadas de Petrônio que perdeu a aposta, mas que continuava num bom humor sem fim.
A alegria havia engolido as horas e o churrasco findou. André foi o primeiro a se retirar e assim que ele saiu Elliot voltou da árvore para o ombro da dona que puxou uma música de que ela gostava desde as épocas de infância. Pouco depois, Elliot se pôs a cantar contente. Era incrível como ele não suportava André. Petrônio fez cara de amuado e fingiu repreender Elliot por causar a perda da aposta, mas sem conseguir convencer acabou por rir e reafirmar que Elliot trouxe muitas alegrias para a sua casa.
Anos se passaram. A vida trouxe transformações. Veio a doença. Sannga mostrava-se frágil, estava pálida e emagreceu muito. Chegou o inverno, a dor, a tristeza e a confirmação: Era muito grave!
Ela começou fazendo o tratamento em casa onde ficava com Elliot. Por vezes sentava-se numa cadeira de balanço, na varanda dos fundos. Aproveitava o sol da manhã enquanto o amiguinho voava da árvore para seu ombro ou ficava pousado em seus joelhos, untando as penas depois de ter tomado banho no esguicho de jardim.
Elliot continuava sendo a grande alegria de Sannga. Estava mais próximo a ela, mais unido ainda, talvez tentando intuitivamente, compensá-la. Ao lado dele, ela sorria e até esboçava curtas cantigas que eram interrompidas por expressões de dor.
Em meses Sannga definhou. Os remédios já não eram eficazes e todos encontravam-se imobilizados pela força do mal que arrastava a moça. Pouco a fazer. O tempo se esvaia e Sannga não podia mais permanecer em casa.
Precisava do tratamento do hospital.
Da cama, Sannga acompanhava Jandira arrumando sua mala. Não pediu livros e nem microfones para o som. Jandira estava abatida e as lágrimas inundavam suas faces, mas Sannga estava calma. Acariciava a cabeça de Elliot que, pousado em seu peito, permanecia seu cúmplice. Nada havia mais terno que a presença e a compreensão silenciosa de seu companheiro.
Faculdade, namorados, diversões... tudo ficava para trás, mas a imagem de Elliot a seu lado, gravava forte uma cena inesquecível para quem pudesse enxergar nas profundidades, bem além da visão comum.
A ambulância chegou. Petrônio entrou no quarto e trocou um olhar significativo com a filha. Não havia palavras. Tudo era dor. Apenas a presença do pássaro lembrava a força da vida.
Talvez Sannga não visse mais Elliot e tal possibilidade não escapava de seu entendimento, então, na saída, pegou-o com as duas mãos, segurou-o e beijou-o docemente.
Petrônio carregou-a no colo em direção à ambulância, enquanto o olhar de Sannga acompanhava Elliot que havia voado e pousado num galho da roseira, perto da porta de entrada.
Sannga nunca mais voltou. As luzes se apagaram, as cores se perderam e a casa se esvaziou. Elliot andou amuado e não queria mais saber de cantar e nem de comer com o mesmo apetite de antigamente. Petrônio e Jandira passavam as noites em sobressalto.
Acordavam bruscamente. Os dias não queriam fluir e as horas vagavam pela rotina sem som e sem expectativa, tornando difícil que qualquer um dos dois se desse conta da duração do tempo.
Já era verão, outra vez. Pouco a pouco, a dor da ausência foi sendo transformada em saudade. Elliot continuou dormindo no quarto de Sannga e voltou a cumprir em todas as madrugadas seu ritual de canto, acordando todos. Quando Jandira ia colocar a mesa, ele já estava empoleirado em alguma cadeira esperando para lancharem juntos.
Petrônio passou a andar com Elliot por quase todos os lugares. Sempre que abria a porta, lá ia ele voando para o ombro de Petrônio. A presença de Elliot era como se tornasse possível, também a presença de Sannga. Vê-lo cantar era como ver Sannga sorrir. A presença dele era como o sentimento de que um dia iria voltar o alguém que se foi.
Assim, a vida foi sendo redesenhada. O sorriso, vagarosamente, voltou às faces. Os vizinhos quando os viam acenavam e comentavam como antigamente: “Olha lá o Elliot da Sannga”.
Jandira e Petrônio compreenderam que deveriam seguir em frente e sempre que a saudade doía Elliot fazia com que qualquer dia da semana tivesse cara de domingo. Porque domingo é dia de encontro. É nele que as distancias se encurtam e que as pessoas entre dimensões se tocam.
Então Elliot traria Sannga de volta porque faria de todos os dias, dia de domingo de sol.
FIM
domingo, 5 de outubro de 2014
A ratinha branca
Gente, que triste, às vezes por causa de ações boas receber um castigo, é o que mostra essa história. Aqui está, espero que vocês gostem e como já disse: Contem histórias. Bjs: Violeta

Um dia a Rainha das Fadas convocou as suas súditas para uma
importante reunião no palácio.
Todas compareceram envoltas em suas capas de veludo, guiando carruagens bordadas de ouro e prata.
Mas uma delas, Clara, ao ouvir o choro de umas criancinhas que viviam numa cabana solitária com tio Francisco, parou no meio do caminho.
A fada entrou no pobre casebre e acendeu a lareira. As crianças, aquecendo-se perto das chamas, contaram que seus pais haviam ido para a cidade trabalhar e que elas estavam morrendo de frio e de medo.
- Pois ficarei com vocês até seus pais voltarem - prometeu ela.
E assim fez. Quando foi embora, nervosa pelo castigo que poderia levar de sua soberana pelo atraso, esqueceu sua varinha mágica no interior da cabana.
A Rainha das Fadas, muito aborrecida, disse a clara:
- O quê?!
Além de você se atrasar para a reunião, ainda aparece sem sua varinha mágica?
Pois merece um castigo!
Depois de ouvir as explicações de Clara, a rainha disse às outras fadas:
- Agora já sei que Clara tem um bom motivo. Ela se atrasou, sim, mas por causa de seu bom coração. Por isso o castigo não será eterno. Durará apenas cem anos, durante os quais ela vagará pelo mundo transformada numa ratinha branca.
Por isso, amiguinhos, se por acaso vocês virem uma ratinha graciosa e de brancura deslumbrante, saibam que é Clara, que ainda está cumprindo seu castigo . . .
O ursinho curioso
Gente, essa fábula, eu achei maravilhosa. Maravilhosa mesmo, espero que vocês gostem. Muito boa e ensina um fato que às vezes, nem percebemos. Bjs: Violeta
Um ursinho que gostava muito de pintar telas, andava curioso pelo bosque, quando viu um buraco no tronco de uma árvore.






Olhando bem, percebeu que naquele buracohavia
um vaivém contínuo de abelhas.

- O que fazer?
Algumas delas, batendo as asas, giravam em volta do buraco como se estivessem
de sentinela; outras, vindas de longe, entravam; algumas saíam e desapareciam no bosque.
O ursinho, sempre curioso, esticou-se e pôs o focinho
no buraco; farejou e depois enfiou uma das patas lá dentro. Quando a retirou, vinha escorrendo mel.
Mal havia começado a lambê-la, saiu do buraco uma nuvem de abelhas furiosas que se lançaram sobre ele picando o nariz, o focinho, as orelhas . . .
O ursinho tentou se defender, mas as abelhas sempre voltavam. Furioso, tentou se vingar correndo atrás de uma ou outra, mas não conseguiu se
vingar de nenhuma;
por fim rolou na terra, vencido pelo terror e pelas picadas, e correu
chorando para junto da mãe.
Nunca se deve meter o focinho onde não é chamado!
Pedrinho e o pé de feijão
Esta é a história verdadeira de Pedrinho, que ganhou milhões, trocando uma vaca leiteira por um pacote de feijões.
Eles eram encantados: dos grãos nasceram galhos gigantes.
Vocês vão ler maravilhados algo nunca lido antes.
Numa casinha no meio de um campo moravam Pedrinho e sua mãe.
Os dois já tinham sido muito ricos, quando o pai de Pedrinho era vivo. Mas, depois que ele morreu, ficaram pobres, muito pobres mesmo.
Só tinham uma vaca que lhes dava leite e umas galinhas que punham ovos. Viviam com dificuldade.
A situação tornou-se ainda pior quando a mãe de Pedrinho adoeceu. Não havia dinheiro para comprar remédios. Por isso, ela chamou o menino e falou:
- Pedrinho, escute o que vou dizer. Pegue a nossa vaquinha e vá vende-la no mercado. Trate de conseguir o melhor preço possível. Eu mesma gostaria de ir, mas estou muito fraca. Não poderia andar tanto.
- Pode ficar sossegada, mamãe. Farei o melhor que puder.
Pedrinho chamou a vaca e pôs-se a caminho.
A vaquinha não queria ir embora.
Estava acostumada naquele lugar há muitos anos.
Mas Pedrinho explicou que era preciso vendê-la, para comprar remédios para a mãe. E lá se foram os dois para o mercado, cada um mais triste que o outro.
No caminho encontraram um velho, sentado na beira de estrada.
- Aonde vai, menino? - perguntou-lhe ele.
- Vou ao mercado vender esta vaca. Preciso de dinheiro.
- Pois eu compro sua vaquinha - disse o velho.- Cuidarei bem dela. Você me dá a vaca e em troca leva este pacote de feijões.
- Oh, não - disse Pedrinho. - Minha vaca vale muito mais que isso!
A vaquinha também não gostou da oferta.
Sentiu-se ofendida, porque, afinal, ela dava muito leite! Mas o velho insistiu:
Olhe, menino, são feijões encantados. Dão fortuna a quem os possui.
Pedrinho acabou concordando, embora a vaquinha ainda achasse que feijões, mesmo encantados, eram um preço muito baixo para ela.
Feita a troca, o velho afastou-se, levando a vaca. Pedrinho, todo orgulhoso de seus feijões, correu para casa.
- Veja, mamãe, que bom negócio eu fiz! Troquei a vaca por este pacote de feijões.
- O que? Não é possível! Um saquinho de feijões por uma vaca! - exclamou a mãe, incrédula.
- Mas são feijões especiais! - explicou Pedrinho, muito animado.
Especiais como? Por acaso são de ouro? - perguntou a mãe, desesperada.
- Melhor que isso, mamãe! São feijões encantados!
- Mas como você é bobinho, meu filho! Acreditou nessa tolice! Olhe bem: são feijões iguais aos outros!
E, num gesto de raiva, a pobre mulher jogou os feijões pela janela. Pedrinho tentou dizer mais alguma coisa, mas a mãe não queria saber de nada.
- Você me deu um grande prejuízo! Já estamos sem dinheiro e agora esta! Vá já para a cama! Não quero mais conversa!
Pedrinho, muito abatido, subiu para o quarto e deitou-se. Não acreditava que o velho pudesse tê-lo enganado.
- Preciso convencer a mamãe de que aqueles feijões eram mesmo encantados - pensava ele. - Mas, como? Nem eu sei qual é a diferença entre os feijões comuns e os do pacote que o velho me deu.
Se eu pudesse ao menos fazer uma experiência. . . Mas a mamãe jogou os feijões pela janela!
Depois de muito pensar, Pedrinho acabou dormindo. No sonho, o velho apareceu e falou:
- Pedrinho, trate de não desperdiçar os feijões que lhe dei. Ainda lhe serão muito úteis. Adeus!
Na manhã seguinte, quando Pedrinho acordou e olhou pela janela, ficou de boca aberta diante do que via.
Exatamente no lugar onde sua mãe tinha jogado os feijões, crescera um enorme pé de feijão, tão alto que Pedrinho não via o fim dele.
- O velho disse a verdade - pensou Pedrinho. - Os feijões eram mesmo encantados! Vou subir para ver até onde vai essa planta.
Pedrinho vestiu-se num minuto, pulou a janela e pôs-se a subir pelo pé de feijão, segurando-se no tronco que era grosso como o de uma árvore.
Pedrinho foi subindo, subindo . . .
Subiu tanto que, lá do alto, viu as casinhas pequeninas, pequeninas.
Lá naquelas alturas onde ele estava, só os passarinhos chegavam.
Pedrinho estava no meio das nuvens!
De repente, ouviu uma voz suave chamando:
- Pedrinho! Pedrinho!
o Menino olhou em volta e exclamou encantado:
- Fadinha Azul! É você?
Sim, sou eu. Moro aqui nesta vila, construída na folha do pé de feijão. Chamei você para lhe dar este saco.
- Oh, muito obrigado! Mas para que serve? - perguntou Pedrinho.
- Você saberá mais tarde, quando chegar a hora. Você teve muita coragem para subir até aqui, Pedrinho e merece um prêmio por isso.
Não tenha medo, nenhum mal lhe acontecerá, nem mesmo quando você atravessar aquela nuvem escura lá em cima . . . está vendo? Continue a subir . . . até o alto, lá onde o pé de feijão tem a haste bem fina . . .
Depois de dizer isto, a fadinha voltou para a vila onde morava.
Pedrinho continuou a subir. Atravessou a nuvem escura tremendo de medo, mas lembrou-se das palavras da fadinha e seguiu em frente.
Chegou à porta de um grande castelo. Encheu-se de coragem e entrou.
Lá dentro tudo era enorme: as portas eram altíssimas, as janelas eram muito largas, os móveis eram imensos.
- O dono deste castelo deve ser um gigante! - pensou Pedrinho.
Nesse mesmo instante ouviu o ruído de passos pesados na escada.
Pedrinho escondeu-se atrás de uma coluna e o gigante surgiu. Vendo-o, Pedrinho pensou:
- Parece alguém que já vi antes . . .
O gigante pôs sobre a mesa uma cesta com uma galinha preta dentro. Depois ordenou:
- Galinha, bote meus ovos!
A galinha obedeceu, mas o gigante gritou:
- Não, estes não! Quero os ovos de ouro!
A galinha pediu desculpas pelo engano e enquanto o gigante comia os ovos de verdade, ela foi botando ovos de ouro, como se fosse a coisa mais natural do mundo!
- Muito bem, chega! - ordenou o gigante, pondo os ovos de ouro no bolso.
Depois foi embora, deixando a galinha em cima da mesa.
Olhando para a galinha, Pedrinho disse para si mesmo:
- Aquela galinha era nossa! Ainda me lembro dela, andando pelo quintal, antes de papai morrer. . .
E depois ela foi roubada! Agora está aqui . . .
O menino fez um esforço para lembrar e exclamou:
- Já sei! Naquele tempo esteve trabalhando para nós um administrador com a cara do gigante, dono deste castelo!
Bem que ele me pareceu conhecido?
Tinha razão a fadinha dizendo-me para subir . . .
Agora vou reaver a galinha preta!
Pedrinho subiu na cadeira do gigante para alcançar a galinha.
- Se o gigante me vê, estou perdido! - pensou.
A galinha começou a gritar:
- Có, có, có! Socorro! Estão me raptando! Polícia! Socorro!
- Psiu - disse Pedrinho. - Você quer que o gigante apareça aqui? Fique quieta, sua boba!
Mas a galinha continuava a gritaria.
Pedrinho enfiou-a no saco e correu para o pé de feijão.
- A Fadinha Azul sabia de tudo . . . - pensou ele.
O gigante chegou à sacada do castelo, viu Pedrinho descendo pelo pé de feijão e gritou:
- Pare aí, menino! Espere!
- Venha pegar-me aqui, gigante ladrão!
- Ladrão? Quem é ladrão? - perguntou a galinha.
- Já te agarro, seu pilantra!
- Por que não desce também pelo pé de feijão! - perguntou Pedrinho, desafiando o gigante.
O gigante começou a descer pelo pé de feijão, gritando para Pedrinho:
- Se te pego, mando-te cozinhar para a ceia!
A galinha perguntou outra vez:
- Diga menino: quem é ladrão?
- Fique quietinha, estamos quase chegando!
O gigante ameaçou:
- Vou torcer teu pescoço!
- Quem é o ladrão? - cacarejou novamente a galinha.
- É o administrador, galinha! - respondeu Pedrinho.
- Mas quem é ele?
- É o gigante!
- Que gigante? - tornou a perguntar a galinha, que pelo jeito não estava entendendo nada do que se passava.
- Depois eu explico - disse Pedrinho. - Agora tenho mais o que fazer!
Pedrinho chegou ao chão, enquanto o gigante ainda estava descendo pela planta. Pegou um machado e cortou o pé de feijão.
O gigante caiu de tão alto, que fez um enorme buraco no chão, tão fundo que ele nunca mais conseguiu sair de lá.
Pedrinho correu para casa e contou à mãe tudo o que acontecera. Depois abriu o saco e a galinha preta saiu de lá de dentro.
- Oh, já conheço este lugar! - cacarejou a galinha. - Já morei aqui antes!
- Entendeu agora quem foi o ladrão? - perguntou Pedrinho.
- Claro, claro! - respondeu a galinha.
E foi comer milho no quintal junto com as outras, como se nunca tivesse saído dali.
Assim, desse dia em diante, a fartura voltou à casa de Pedrinho e de sua mãe, graças aos ovos de ouro que a galinha preta botava todos os dias.
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