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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

História de Medusa

Medusa
Monstro ctônico do sexo feminino e uma das três irmãs Górgonas. Filha de Fórcis e Ceto (embora o autor Higino interpole uma geração e cite outro casal ctônico como seus pais) divindades marinhas, quem quer que olhasse diretamente para ela seria transformado em pedra. Contrariamente às irmãs, esterno e Euriale, Medusa era mortal, tendo sido decapitada pelo herói grego Perseu o qual, posteriormente, veio a utilizar a cabeça desta como uma arma, até a dar à deusa Atena, que a colocou no seu escudo.
Na Antiguidade Clássica a imagem da Medusa aparecia nos objetos utilizados como forma de afastar o mal.
A sua genealogia é partilhada com outro grupo de irmãs, as Greias, segundo Prometeu Acorrentado de Ésquilo, o qual situa ambos os trios de irmãs num local longínquo "a terrível planície de Cisterne".
Enquanto que a Medusa representada pelos artistas gregos antigos, em vasos e relevos, tenha uma forma monstruosa, os escultores e pintores do século V a.C. passaram a visualizá-la como bela mas aterradora. Numa ode, escrita em 490 a.C., Píndaro já falava da "Medusa das belas bochechas".
Numa versão posterior do mito, relatada pelo poeta romano Ovídio, a Medusa teria sido originalmente uma bela donzela, a "aspiração ciumenta de muitos pretendentes", sacerdotisa do templo de Atena. Um dia, tendo sido violada pelo Senhor dos Mares, Poseídon no templo da deusa, esta enfurecida, castigou a sacerdotisa transformando o cabelo de Medusa em serpentes e deixou o rosto de Medusa horrível de tal forma que quem olhasse para ele seria transformado em pedra.
Na maioria das versões do mito, Medusa terá sido decapitada por Perseu, enquanto aguardava um filho de Posídon, o qual havia recebido a missão do rei Polidetes de Sérifo de lhe levar como presente a cabeça do monstro. Com a ajuda de Atena, de Hermes, que lhe forneceu umas sandálias aladas, e de Hades, que lhe deu um elmo de invisibilidade, uma espada e um escudo espelhado, o herói cumpriu a sua missão, matando a Górgona, servindo-se do inofensivo reflexo desta para a ver.
Quando Perseu separou a cabeça de Medusa, nasceram o cavalo alado Pégaso e o gigante dourado Crisaor.



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História de Deméter

Deméter ou Demetra, filha de Cronos e Reia, deusa da terra cultivada, das colheitas e das estações do ano. É propiciadora do trigo, planta simbolizadora da civilização. Na qualidade de deusa da agricultura, fez várias viagens com Dionísio, ensinando os homens a cuidarem da terra e das plantações.
Em Roma, onde se chamava Ceres, o seu festival, Celéria, era celebrado na primavera.
Teve uma filha de Zeus, Perséfone ("a de braços brancos"). É uma das deusas que teve filhos com mortais, do herói cretense Iásio gerou Ploutus. Um fragmento do Catálogo de Mulheres de Hesíodo, sugere que Deméter teve um outro amante mortal, Eetion, o qual foi fulminado por um raio de Zeus. No entanto, alguns críticos consideram Iásio e Eetion a mesma pessoa.
Quando Hades raptou Perséfone, levando-a para o seu reino, Deméter ficou desesperada e vagueou pela Terra, em busca da filha, sem comer e sem descansar, descurando as colheitas. Decidiu não voltar para o Olimpo enquanto a filha não lhe fosse devolvida, e culpando a terra por ter aberto a passagem para Hades levar a filha, proclamou: «... Ingrato solo, que tornei fértil e cobri de ervas e grãos nutritivos, não mais gozarás dos meus favores!».
Durante o tempo que Deméter ficou fora do Olimpo a terra tornou-se estéril, o gado morreu, o arado quebrou, os grãos não germinaram. Sem alimento, as populações sofriam de fome e adoeciam. A fonte Aretusa (noutras versões, a ninfa Ciana metamorfoseada num rio) contou que a terra se havia aberto de má vontade, obedecendo às ordens de Hades e que Perséfone estava no Érebo, triste mas com pose de rainha, como esposa do monarca do mundo dos mortos.
Com a situação em estado caótico, pois a terra encontrava-se estéril, Zeus pediu a Hades que devolvesse Perséfone. O irmão concordou, no entanto, Perséfone havia ingerido um bago de romã, ficando presa para sempre ao mundo dos infernos, pois quem comesse qualquer alimento nessa região ficava obrigado a retornar.
Estabeleceu-se, então, que Perséfone passaria um período do ano com a mãe, e outro com Hades (altura em que é designada de Proserpina). O primeiro período corresponde à Primavera, altura em que os grãos germinam, saindo da terra tal como Proserpina. Durante este período Perséfone é chamada de Core, a jovem. O segundo corresponde à semeadura de outono, quando os grãos são enterrados, tal como Perséfone volta ao reino dos mortos.
Os mistérios Eulisios, celebrados no culto à deusa Deméter, na Grécia, interpretam esta lenda como um símbolo contínuo de morte e ressurreição.
Deméter pode ser representada:
  • sentada, com tochas ou uma serpente. São-lhe atribuidos a espiga e o narciso, e a ave gou;
  • tendo numa das mãos uma foice e na outra um punhado de espigas e papoilas, trazendo na cabeça uma coroa com esses elementos.


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História da Deusa Afrodite

Afrodite

Deusa grega do amor, da beleza, do prazer e da procriação. A sua equivalente romana é Vênus.
Tal como acontece com outras divindades gregas, existe mais que uma história para as suas origens. De acordo com a Teogonia de Hesíodo, Afrodite nasceu quando Cronos cortou os genitais do pai Urano e deitou-os ao mar, tendo a deusa surgido da espuma (aphros) do mar. De acordo com a Ilíada de Homero, Afrodite é filha de Zeus e Dione. Já Platão diz que as duas são entidades completamente diferentes: uma é Afrodite Urnia e a outra Afrodite Pandemos.
Devido à sua beleza, os outros deuses temiam que a rivalidade que esta podia causar, interrompesse a paz entre os deuses e levasse à guerra; então Zeus casou-a com Hefesto, quem, por causa da sua fealdade e deformidade, não era visto como uma ameaça.
Afrodite teve muitos amantes - tanto deuses, como Ares, quanto mortais, como Anquises. Teve um papel importante no mito de Eros e Psique, e mais tarde veio a ser descrita tanto como amante de Adônis quanto sua mãe de aluguel. Diversos outros personagens da mitologia grega foram descritos como sendo seus filhos.
Afrodite também é conhecida por Citere ou Citereia (Cytherea) e Cípria (Cypris), devido aos seus dois locais célebres de culto na Antiguidade, Citera e Chipre - ambos os locais alegavam ser o local de nascimento da deusa.
A murta, os pardais, os pombos, os cavalos e os cisnes estavam consagrados a Afrodite. Os antigos gregos identificavam a deusa Afrodite com a deusa egípcia Hator. Também era conhecida por outros nomes locais como Acidália e Cerigo, em que cada uma recebia um culto ligeiramente diferente, mas que eram reconhecidas pelos gregos como sendo a mesma deusa.
Por sua vez, tal como Platão, os filósofos áticos do século IV a.C. distinguiam a Afrodite Celestial (Afrodite Urânia) e os seus princípios transcendentes da Afrodite comum, do povo (Afrodite Pandemos).


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Mitologia Grega

Introdução

Os gregos criaram vários mitos para poder passar mensagens para as pessoas e também com o objetivo de preservar a memória histórica de seu povo. Há três mil anos, não havia explicações científicas para grande parte dos fenômenos da natureza ou para os acontecimentos históricos.

Portanto, para buscar um significado para os fatos políticos, econômicos e sociais, os gregos criaram uma série de histórias, de origem imaginativa, que eram transmitidas, principalmente, através da literatura oral.

 Grande parte destas lendas e mitos chegou até os dias de hoje e são importantes fontes de informações para entendermos a história da civilização da Grécia Antiga. São histórias riquíssimas em dados psicológicos, econômicos, materiais, artísticos,  políticos e culturais.

Entendendo a Mitologia Grega.

Os gregos antigos enxergavam vida em quase tudo que os cercavam, e buscavam explicações para tudo. A imaginação fértil deste povo criou personagens e figuras mitológicas das mais diversas. Heróis, deuses, ninfas, titãs e CENTAUROS habitavam o mundo material, influenciando em suas vidas. Bastava ler os sinais da natureza, para conseguir atingir seus objetivos. A pitonisa, espécie de sacerdotisa, era uma importante personagem neste contexto. Os gregos a consultavam em seus oráculos para saber sobre as coisas que estavam acontecendo e também sobre o futuro. Quase sempre, a pitonisa buscava explicações mitológicas para tais acontecimentos. Agradar uma divindade era condição fundamental para atingir bons resultados na vida material. Um trabalhador do comércio, por exemplo, deveria deixar o deus Hermes sempre satisfeito, para conseguir bons resultados em seu trabalho.

Os principais seres mitológicos da Grécia Antiga eram :

- Heróis : seres mortais, filhos de deuses com seres humanos. Exemplos: Herácles ou Hércules e Aquiles.
- Ninfas : seres femininos que habitavam os campos e bosques, levando alegria e felicidade.
- Sátiros : figura com corpo de homem, chifres e patas de bode.
- Centauros : corpo formado por uma metade de homem e outra de cavalo.
- Sereias : mulheres com metade do corpo de peixe, atraíam os marinheiros com seus cantos atraentes.
- Górgonas : mulheres, espécies de monstros, com cabelos de serpentes. Exemplo: Medusa
- Quimera : mistura de leão e cabra que soltava fogo pelas ventas.

Medusa Medusa: mulher com serpentes na cabeça

O Minotauro

É um dos mitos mais conhecidos e já foi tema de filmes, desenhos animados, peças de teatro, jogos etc. Esse monstro tinha corpo de homem e cabeça de touro. Forte e feroz, habitava um labirinto na ilha de Creta. Alimentava-se de sete rapazes e sete moças gregas, que deveriam ser enviadas pelo rei Egeu ao Rei Minos, que os enviavam ao labirinto. Muitos gregos tentaram matar o minotauro, porém acabavam se perdendo no labirinto ou mortos pelo monstro.

Certo dia, o rei Egeu resolveu enviar para a ilha de Creta seu filho, Teseu, que deveria matar o minotauro. Teseu recebeu da filha do rei de Creta, Ariadne, um novelo de lã e uma espada. O herói entrou no labirinto, matou o Minotauro com um golpe de espada e saiu usando o fio de lã que havia marcado todo o caminho percorrido.

Deuses gregos

De acordo com o gregos, os deuses habitavam o topo do Monte Olimpo, principal montanha da Grécia Antiga. Deste local, comandavam o trabalho e as relações sociais e políticas dos seres humanos. Os deuses gregos eram imortais, porém possuíam características de seres humanos.

Ciúmes, inveja, traição e violência também eram características encontradas no Olimpo. Muitas vezes, apaixonavam-se por mortais e acabavam tendo filhos com estes. Desta união entre deuses e mortais surgiam os heróis.

Conheça os principais deuses gregos :

Zeus - deus de todos os deuses, senhor do Céu.
Afrodite - deusa do amor, sexo e beleza.
Poseidon - deus dos mares
Hades - deus das almas dos mortos, dos cemitérios e do subterrâneo.
Hera - deusa dos casamentos e da maternidade.
Apolo - deus da luz e das obras de artes.
Ártemis - deusa da caça e da vida selvagem.
Ares - divindade da guerra.
Atena - deusa da sabedoria e da serenidade. Protetora da cidade de Atenas.
Cronos - deus da agricultura que também simbolizava o tempo.
Hermes - mensageiro dos deuses, representava o comércio e as comunicações.
Hefesto - divindade do fogo e do trabalho.

Górgonas

Górgonas 

Górgona Medusa
Medusa: górgona mais conhecida da mitologia grega

Quem eram, história e poderes das górgonas 
As górgonas eram três figuras mitológicas da Grécia Antiga. Consideradas monstros, estas mulheres tinham na cabeça, no lugar de cabelos, serpentes. Outras características físicas das górgonas eram: corpo coberto por escamas, braços de metal e dentes grandes e pontiagudos.

A mais conhecida era a Medusa, mas também existiam outras duas górgonas: Euríale e Esteno.

De acordo com a mitologia grega, as górgonas possuíam a capacidade de transformar em pedra as pessoas que olhassem diretamente para seus olhos.

Num dos mitos gregos, o herói Perseu conseguiu cortar a cabeça de Medusa, contando com a ajuda da deusa Atena. Do corpo de Medusa nasceu Pégaso, o cavalo alado.



Olga Benário Prestes (Munique12 de fevereiro de 1908 — Bernburg23 de abril de 1942) foi uma jovem militantecomunista alemã, de origem judaica, deportada para a Alemanha durante o governo de Getúlio Vargas, onde veio a ser executada pelo regime nazista em campo de extermínio. Veio para o Brasil na década de 1930, por determinação da Internacional Comunista, para apoiar o Partido Comunista Brasileiro. Destacada como guarda-costa de Luís Carlos Prestes, tornou-se sua companheira, tendo com ele uma filha, Anita Leocádia Prestes.

Militância na Alemanha[editar | editar código-fonte]

Nascida em Munique, Olga Gutmann Benário era filha do advogado Leo Benário e da socialite Eugénie Gutmann Benário, em uma família judia alemã de classe média. Ingressou ainda jovem no movimento comunista, em 1923, com apenas quinze anos, juntando-se à organização juvenil do Partido Comunista Alemão (KPD), a Liga Juvenil Comunista da Alemanha (KJVD). Pouco depois, mudou-se para Berlim com o então namorado Otto Braun, militante comunista,1 devido a conflitos ideológicos com seu pai, que era membro ativo do Partido Social-Democrata.2
Olga (última fileira) com a Liga Juvenil, minutos antes de invadir a prisão de Moabit3
Após a queda da monarquia, instaurou-se um regime formalmente republicano na Alemanha, a chamada República de Weimar. O regime, no entanto, jamais foi aceito pela direita, que o considerava um produto da "traição" do Tratado de Versalhes, nem pela extrema-esquerda comunista, que, esmagada politicamente na repressão ao Levante Spartakista de1919, quando foi assassinada Rosa Luxemburgo, desejava instaurar o comunismo na Alemanha e formar uma aliança política com a União Soviética. O conflito entre a direita e esquerda marcou esse período turbulento da história da Alemanha, com lutas armadas entre milícias paramilitares e homicídios políticos.
Neste clima político, em Berlim, Olga ascendeu dentro do movimento comunista depois dos conflitos de rua contra milícias de extrema-direita no bairro de Kreuzberg, próximo a Neukolln.4 Ela foi presa no mesmo dia que Braun, sendo acusados de alta traição à pátria.5 Ela logo foi solta, mas Braun, não. Junto com seus colegas de militância, planejou então o assalto à prisão de Moabit que libertaria Braun. Logo depois, ambos fogiram para a União Soviética, onde Olga, já como quadro valioso, recebeu treinamento político-militar na Escola Lenin, trabalhando como instrutora da Seção Juvenil da Internacional Comunista. Separou-se de Braun em 1931.6 Recebeu os codinomes de "Frida Leuschner", "Ana Baum de Revidor", "Olga Sinek", "Maria Bergner Vilar" e "Zarkovich".
Internacional Comunista, desde o fim dos anos 1920, havia seguido na Alemanha uma política ultra-esquerdista, fundada na recusa a coligar-se com os social-democratas numa frente única contra o nazismo, que havia contribuído para a chegada de Adolf Hitler ao poder, e a presença de militantes comunistas alemães como Olga no território da União Soviética constituía um embaraço para Josef Stalin, que começou a pensar em engajá-los em alguma espécie de empreendimento que pudesse de alguma forma compensar o fracasso da política stalinista na Alemanha.
Olga Benário em 1928, ainda naAlemanha.

Intentona Comunista e Prestes[editar | editar código-fonte]

Luís Carlos Prestes, que desde 1931 estava residindo na União Soviética, em 1934 foi finalmente aceito nos quadros doPartido Comunista Brasileiro (PCB), por pressão do Partido Comunista da União Soviética. Sendo eleito membro da comissão executiva da Internacional Comunista (IC), voltou ao Brasil, via Nova Iorque, como clandestino, em dezembro do mesmo ano, acompanhado de Olga Benário, também membro da IC, passando-se por marido e mulher. Seu objetivo era liderar uma revolução armada, com o apoio de Moscou.7
A política comunista da época - decidida no VI Congresso da Internacional Comunista - favorecia movimentos do tipo frente de Esquerda em países do Terceiro Mundo, tendo por objetivo a realização de um programa de democratização política interna e de defesa da independência nacional contra o imperialismo, e Prestes parecia aos comunistas a figura adequada para liderar esta espécie de movimento no Brasil. Antes de aprovar a insurreição, a Internacional Comunista estava cética do sucesso de uma revolução no Brasil, mas o Partido Comunista Brasileiro havia exagerado consideravelmente a extensão da sua influência e capacidade revolucionária e, assim, fornecido à Internacional Comunista a perspectiva - completamente errônea, como se veria - de um levante comunista vitorioso que compensasse, de alguma forma, a recente derrota na Alemanha.8
Selo postal daRepública Democrática Alemã com a efígie de Olga Benário Prestes (1959).
Na época, Moscou criara em MontevidéuUruguai, o Secretariado Latino-Americano, que operava clandestinamente e queria aproximar as organizações comunistas da América Latina de Moscou. Olga e Prestes eram apoiados financeira e logisticamente através desta organização. Após o fracasso da Intentona Comunista e a descoberta destas operações, o Uruguai rompeu relações com a União Soviética, no final de 1935.9
Prestes seria acompanhado por um pequeno grupo de quadros, encarregados de auxiliá-lo na preparação da insurreição. Eram eles Inês Tulchniska, Abraham Gurasky "Pierre", o alemão Arthur Ernst Ewert (que seria mais conhecido no Brasil pelo seu codinome de Harry Berger), sua esposa alemã de origem polonesa Elise Saborovsky, o belga Leon Jan Jolles Vallée, Boris Kraevsky, o argentino Rodolfo José Ghioldi, Carmen de Alfaya, a própria Olga Benário, Johann de Graaf, Helena Kruger, Pavel Vladimirovich Stuchevski, Sofia Semionova Stuchskaia, Amleto Locatelli, "Marga", Mendel Mirochevski, Steban Peano, Maria Banejas, o norte-americano Victor Allen Baron, Marcos Youbman, "Carmen". Pavel Vladimirovich Stuchevski, que chefiava o aparelho do Komintern no Rio de Janeiro, coordenava as atividades de sete outros brasileiros de menor projeção dentro da Organização.10
Prestes e Olga chegaram ao Brasil com documentos falsos em abril de 1935, fingindo serem um casal português mas se mantendo na clandestinidade. O país havia se reconstitucionalizado desde 1934, mas com o Presidente Vargas na situação ambígua de presidente eleito pelo voto indireto da própria Constituinte.
Prestes encontrou o movimento recém-constituído denominado Aliança Nacional Libertadora (ANL), frente política revolucionária comunista de caráter antifascista e anti-imperialista que congregava tenentes, socialistas e comunistas descontentes com o Governo Vargas. O movimento contestava o integralismo de Plínio Salgado, de cunho filo fascista. Mesmo clandestino, Prestes foi calorosamente aclamado presidente de honra da ANL em sua sessão inaugural no Rio de Janeiro. Prestes procurou então aliar o enorme crescimento da ANL, que o prestigiou, com a retomada de antigos contatos no meio militar para criar as bases que julgava capazes de deflagrar a tomada do poder no Brasil. Em julho de 1935, divulgou um manifesto incendiário, apelando para os sentimentos nacionalistas das classes médias exigindo "todo o poder" à ANL e a derrubada do governo Vargas.11
Vargas, no entanto, apoiando-se numa política de defesa da ordem, imediatamente aproveitou a oportunidade e declarou a ANL ilegal, o que não impediu Prestes de continuar a organizar o que acabou por ficar conhecido como a Intentona Comunista.12
Os preparativos insurrecionais caminhavam quando, em novembro daquele ano de 1935, um levante armado estourou na cidade de Natal, motivado principalmente por fatores locais. Prestes ordenou, então, que a insurreição fosse estendida ao resto do país,13 porém apenas algumas unidades militares de Recife e Rio de Janeiro se levantaram. O governo brasileiro logo controlou a situação e desencadeou forte repressão sobre os setores oposicionistas. Deve-se lembrar que os planos de Prestes e Olga eram de tomar o poder de Vargas através de uma insurreição armada, e o governo não mediu esforços para suprimi-la.9 Muitos líderes comunistas foram presos, alguns deles amigos de Olga e Prestes, como o casal de alemães Artur e Elise Ewert, conhecida como Sabo. Ambos seriam brutalmente seviciados pela polícia brasileira, sob o comando de Filinto Müller, e Artur perderia definitivamente sua sanidade mental no processo. 13

Prisão[editar | editar código-fonte]

Olga Benário no momento da sua prisão no Brasil, em 1936
Durante alguns meses, Prestes e Olga conseguiram ainda viver na clandestinidade. No início de 1936, tentando encontrar responsáveis pelo fracasso do levante, Prestes mandou matar a moça de 18 anos Elza Fernandes, namorada do secretário-geral do PCB. Prestes suspeitava que ela fosse informante da polícia, o que mais tarde se provou um engano. William Waack, que estudou arquivos do regime soviético, alega que Olga não se opôs à decisão, baseando-se em informações de um ex-agente soviético que chefiava as operações clandestinas no Rio de Janeiro. William Waack diz:
"Prestes e Olga eram soldados do Partido, e a esses soldados não se admitiam crises de consciência."14 15
Em março de 1936, foram capturados pela polícia. Olga foi levada para a Casa de Detenção, posta numa cela junto com mais de dez mulheres, muitas delas conhecidas suas. Neste momento, descobriu estar esperando uma filha de Luís Carlos Prestes. Logo veio a ameaça de deportação para a Alemanha, sob o governo de Hitler, o que seria a morte para ela, por ser, além de judia, comunista.16 Começou na Europa um grande movimento pela libertação de Olga e Prestes, encabeçado por D. Leocádia e Lígia Prestes, respectivamente a mãe e a irmã de Luís Carlos Prestes.17
O julgamento de Olga foi feito segundo os termos formais da ordem constitucional definida pela constituição federal, atendendo a um pedido de extradição do governo nazista. Nos termos da constituição em vigor, o julgamento era legal. O advogado de defesa de Olga pediu um indulto (Habeas Corpus), argumentando que a extradição era ilegal, pois Olga estava grávida e sua extradição significaria colocar o filho de um brasileiro sob o poder de um governo estrangeiro. Havia também o aspecto humanitário da permanência dela no país: não obstante os campos de concentração nazistas, à época, não funcionarem como aparatos de extermínio, era de conhecimento público que eram centros de detenção extrajudicial onde os internos eram tratados com intensa crueldade.18
Não obstante tudo isto, o Supremo Tribunal Federal aprovou o pedido de extradição, Vargas não decretou indulto e Olga foi deportada para a Alemanha, juntamente com a amiga Sabo. Getúlio Vargas decretou o estado de sítio após a Intentona como resposta à radicalização político-ideológica no Brasil tanto da direita e da esquerda, polarização que estava acontecendo também fora do país.19 Apesar de o contexto em parte justificar a decisão, em 1998 o então presidente do Supremo, Celso de Mello, declarou que a extradição fora um erro: "O STF cometeu erros, este foi um deles, porque permitiu a entrega de uma pessoa a um regime totalitário como o nazista, uma mulher que estava grávida."19
Após a decisão, Olga foi transportada para a Alemanha de navio, o cargueiro alemão La Coruña, apesar dos protestos do próprio capitão pela violação do Direito Marítimo internacional - afinal, Olga já estava grávida de sete meses. Quando o navio aportou em 18 de outubro de 1936 diretamente na Alemanha, para evitar protestos em outros portos, oficiais da Gestapo já esperavam por ela, para levá-la presa. Não havia nenhuma acusação contra ela, pois o caso do assalto à prisão de Moabit já prescrevera. No entanto, a legislação nazista autorizava a detenção extrajudicial por tempo indefinido ("custódia protetora") e Olga foi levada paraBarnimstrasse, a temida prisão de mulheres da Gestapo, onde teve a filha, que denominou de Anita Leocádia, futura historiadora, professora-adjunta daUniversidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).20 Anita ficou em poder da mãe até ao fim do período de amamentação e, depois, foi entregue à avó, D. Leocádia, em consequência das pressões da campanha internacional dirigida, como já dito, por Lígia Prestes e pela própria D. Leocádia,21 que morreria no exílio no México.

Campo de concentração[editar | editar código-fonte]

Olga foi transferida para o campo de concentração de Lichtenburg nos primeiros dias de março de 1938, e em 1939 seria transferida para o campo de concentração feminino de Ravensbrück. Aqui, as prisioneiras viviam sob escravidão e eram sujeitas a experiências pelo médico Karl Gebhardt (ver: experimentos médicos nazistas). Relatos de sobreviventes contam que, durante o seu tempo em Ravensbrück, Olga organizou atividades de solidariedade e resistência, com aulas de ginástica e história.22
Com a Segunda Guerra Mundial e sem mais possibilidades de recursos à opinião pública, Olga seria um alvo óbvio para as políticas de extermínio nazistas: na Páscoa de 1942, com 34 anos de idade e quase quatro anos depois de transferida para Lichtenburg, Olga foi enviada para o campo de extermínio de Bernburg, onde foi executada na câmara de gás em 23 de abril de 1942 com mais 199 prisioneiras, dentre elas suas amigas Sarah Fidermann, Hannah Karpow, Tilde Klose, Irena Langer e Rosa Menzer. A notícia de sua morte foi feita através de um bilhete escondido na barra da saia de uma das presas.23
Câmara de gás na qual morreu, em Bernburg.
Luís Carlos Prestes visitaRavensbrück, 28 de nov. 1959

Legado[editar | editar código-fonte]

Após a Segunda Guerra Mundial, Olga seria apresentada e cultuada na Alemanha Oriental como exemplo da mãe vítima do nazismo, tal como a espiã do grupo da resistência alemã Rote Kapelle ("Orquestra vermelha") Hilde Coppi e a ativista comunista Liselotte Hermannn, ambas também executadas pelo nazismo. É nome de rua, "Olga Benário Prestes", na antiga Berlim Oriental e noutras seis cidades alemãs, e sua efígie consta de moedas e selos, além de ter dado nome a 91 escolas,creches, ruas e praças em cidades que pertenciam à antiga República Democrática Alemã. No Brasil, Olga Benário também dá nome a ruas, praças e escolas em várias cidades, incluindo São Paulo.
Em 1984, foi feita uma exposição sobre sua vida na Galerie Olga Benário, em Berlim, à Richard strasse 104, com edição de um catálogo que leva seu nome.24 Em 2008, em comemoração dos 100 anos de Olga e dos 24 anos da galeria, Anita Prestes, filha de Olga e Luís Carlos, foi inaugurar um memorial que homenageia as vítimas do holocausto, no último endereço de sua mãe em Berlim.25

Mídia[editar | editar código-fonte]

A primeira biografia de Olga Benário foi escrita por Ruth Werner e publicada na Alemanha Oriental em 1961 pela Verlag Neues Leben, com reedição em 1984. Suatradução para o português, feita pelo jornalista brasileiro Reinaldo Mestrinel, foi publicada pouco depois. Fernando Morais publicou uma nova biografia sobre ela em 1985, intitulada "Olga" e lançada pela Editora Ômega, com relançamento em 1994 pela Companhia das Letras. Segundo Fernando Morais, até à publicação do seu trabalho quase não havia material a respeito de Olga Benário no Brasil.26 Estimou-se em 2005 que a Companhia das Letras vendeu mais de 170 mil exemplares do livro, que foi considerado um sucesso editorial.24
Em 1989, a telenovela Kananga do Japão, produzida e exibida pela extinta Rede Manchete de Televisão, retratou o casal Olga Benário e Luís Carlos Prestes com a interpretação de Betina Vianny e Cassiano Ricardo.27
Na Alemanha, o cineasta turco Galip İyitanır produziu o documentário "Olga Benario - Ein Leben für die Revolution" em 2004.28 No mesmo ano foi realizado um filme brasileiro de ficção baseado na biografia escrita por Fernando Morais, intitulado Olga e dirigido por Jayme Monjardim, com a atriz Camila Morgado no papel de Olga. O ator Caco Ciocler, por sua vez, interpretou o líder brasileiro comunista e ex-tenentista Luís Carlos Prestes. A obra recebeu três prêmios no Grande Prêmio Brasileiro de Cinema de 2005, mas teve recepção negativa das imprensas brasileira e alemã.29
Na época do lançamento do filme, William Waack, jornalista que pesquisou sobre Olga nos arquivos da antiga União Soviética, criticou a criação do mito em torno dela na mídia, alegando que essa imagem romântica da revolucionária nascera de propaganda do antigo regime comunista da Alemanha Oriental (ou República Democrática Alemã).14
Em 1997, Jorge Antunes compôs a ópera Olga, com libreto de Gerson Valle, que estreou no dia 14 de outubro de 2006 no Teatro Municipal de São Paulo. A soprano Martha Herr cantou o papel-título e Luciano Botelho interpretou Luís Carlos Prestes.30