Ontem
Michelly Kinai
E numa noite qualquer ele chegou, se aconchegou ao meu lado e ao fitar seus olhos, claramente pude ver que o que lhe faltava era amor, amor, total, na sua incondicionalidade. Se envolveu em meus braços, como num abraço infinito e eu o aqueci por algum tempo. O que ele não pôde entender é que aquilo era apenas um romance casual, daqueles amores que sempre vem e vão. Naquele instante olhei-o pela última vez e mais uma vez o acariciei, sabendo que aquele era o fim, que se por ventura algum dia voltássemos a nos encontrar seria por mero acaso. Ele não pedia nada mais que carinho; mas então chegou a hora de me levantar e seguir. Assim, o vi partir e se afastar procurando abrigo nos braços de outros. Nunca mais o encontrei, porém jamais o esqueci…
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Sobre Sapatos e Desilusões
Michelly Kinai
Sapatos iludem, sapatos confundem. Sentada, acendia um cigarro atrás do outro, enquanto atirava lamentos e suposições sobre sua amiga, que atenciosamente a ouvia sem julgamentos aparentes. Magra, de estatura mediana, cabelos longos e olhos bonitos que contrastavam com a suavidade de seu rosto, permanecia desiludida e cega, continuava a eterna busca pelo certo alguém ideal. Talvez porque o mundo tivesse caras babacas demais, ou porque tivesse sido babaca demais com caras legais. E a vida nesse inverso reverso, onde as canções tocavam e insistiam em dizer do valor que o ser humano não da quando tem na mão, continuava sempre com Marias apaixonadas por Joões, que por sua vez gostavam de Anas e as trocavam por Helenas. Sendo assim, as duas amigas permaneceram lá por horas, contando casos, dissertando desilusões e juntas num boteco compunham uma prosa composta de mágoas, expectativas falhas, mas nunca sobre casamento, família, filhos ou sobre essa doença social que o mundo chama de padrão. Mais um cigarro e um último conselho vindo de uma delas ” sapatos”, um dia todo mundo encontra os sapatos certos, aqueles que não calejam os pés, seguros, confortáveis e sempre lá.
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Shakespeare
Michelly Kinai
O que são considerados sentimentos nos dias de hoje? Em um mundo onde amor, tristeza, abraços e angústias são só produtos de consumo, vendidos cegamente num compartilhamento eterno de luxúria e superficialidade? Pode – se por assim dizer que se Shakespeare ainda estivesse vivo , de fato tomaria o veneno destinado a Romeu e esse por outro lado, recitaria poemas ao pé da varanda de Julieta que logo depois de entregar-lhe o coração se depararia com o jovem Montecchio correndo atrás de qualquer outra bendita na rua. Sinto lhes dizer, mas a humanidade matou o amor! O amor talvez não digo, mas o romance. O coração palpitante, o brilho nos olhos, o tremor das mãos já não faz mais sentido algum e enquanto uns escrevem cartas e poemas a fim de resgatá-lo, outros se iludem achando que votos, cerimônias e contratos podem manter para sempre o que finda em acabar.
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