O Rei Momo era o dono da felicidade. No seu reino só morava quem tinha o coração alegre e em seu castelo só vivia quem tinha uma pequena coleção de sorrisos. Ele mesmo era dono da maior coleção de sorrisos de todos os reinos próximos e distantes. Por um ano todo ele bordava um a um com muito cuidado e carinho. Eram sorrisos tímidos, sorrisos largos e até sorrisos de plumas e paetês, todos dispostos lado a lado em prateleiras sem fim. Mas cada um deles tinha um dia para sair dali.
No primeiro dia de carnaval, o Rei e sua corte caminhou pelas ruas distribuindo cada um dos sorrisos da coleção real para os habitantes do reino. Não houve uma criança nem um senhor que ficasse sem um de seus belos sorrisos. Foram milhares de rostos iluminados dia após dia e muita folia que durava até o sol raiar. Quem passava próximo pelas paredes do reino invejava a boa energia que contagiava até o além mar. Uma felicidade sem fim, um sorriso que nunca se apagava.
No último dia de carnaval, enquanto o Rei distribuía seus últimos sorrisos, ele foi surpreendido por uma moça. Ela não vestia nenhuma fantasia, nenhuma cor e nenhum brilho. Ela estava fantasiada dela mesma e se recusou em receber um sorriso.
– Desculpe-me majestade, mas estou exausta.
– Mas é carnaval, minha jovem. Se estás exausta tome um banho, durma um pouco e volte para a folia depois.
– Minha exaustão não é do corpo, meu Rei. É do coração. Passei dias enfeitando cabelos, roupas e sorrisos, me vestindo de outra coisa, mas o coração não dá pra fantasiar.
– Insista no carnaval, querida. Insista na fantasia que o coração segue. Onde o corpo vai, a alma vai atrás.
– Já tentei, meu Rei. Não importa quantas fantasias eu vista, não consigo fugir de mim mesma. Não consigo ignorar essa dor no peito.
– Então leve este meu sorriso – disse o Rei enquanto pegava outro sorriso de sua coleção e entregava à jovem – ele não cura dores no peito, mas cura um pouco da tristeza.
– Obrigado rei, mas não posso aceitar e por favor não insista. Hoje eu apenas quero me vestir de mim mesma, nada mais. Então por favor, tire seu sorriso do caminho que eu quero passar com minha dor.
– Mas é carnaval, minha jovem. Se estás exausta tome um banho, durma um pouco e volte para a folia depois.
– Minha exaustão não é do corpo, meu Rei. É do coração. Passei dias enfeitando cabelos, roupas e sorrisos, me vestindo de outra coisa, mas o coração não dá pra fantasiar.
– Insista no carnaval, querida. Insista na fantasia que o coração segue. Onde o corpo vai, a alma vai atrás.
– Já tentei, meu Rei. Não importa quantas fantasias eu vista, não consigo fugir de mim mesma. Não consigo ignorar essa dor no peito.
– Então leve este meu sorriso – disse o Rei enquanto pegava outro sorriso de sua coleção e entregava à jovem – ele não cura dores no peito, mas cura um pouco da tristeza.
– Obrigado rei, mas não posso aceitar e por favor não insista. Hoje eu apenas quero me vestir de mim mesma, nada mais. Então por favor, tire seu sorriso do caminho que eu quero passar com minha dor.
A jovem caminhou lentamente pela corte real e atravessou a folia. Ela era a menina mais sozinha do reino, mesmo cercada de tanta gente. Por um momento o sorriso do Rei, que era sempre o mais bonito de todo o carnaval, perdeu um pouco do brilho. E por um segundo o rei se sentiu aliviado. Percebeu que tinha dado ao carnaval a obrigação de fazer todo mundo feliz. Então entendeu que felicidade não é uma obrigação, é um acontecimento. Daquele dia em diante ele parou de confeccionar sorrisos e passou a esperar os sorrisos que a felicidade fosse entregar. Afinal, só a felicidade é capaz de realmente fazer sorrir e ela tem a hora certa de chegar. Até lá, paciência.






