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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

MEU PRIMO PINGÜIM

Caro amigo Hofritz,
Sob a luz de velas, compungido, corpo molhado de suor, leio sua carta. Não esperei sequer a luz voltar.
Imaginei você ter nascido um leão marinho, que horror! Inadmissível tua mulher dizer isso de você. Não ia conseguir aturar isso, acho. Sempre me inspirei em você como o meu modelo de pingüim.
Tia Chandó, tua mãe, não tenho dúvidas, ia querer matar essa sua mulher.
Aqui, as coisas não estão muito diferentes. Frija, minha patroa, está cada dia pior. Fria, distante, exigente, encrenqueira.
Veja você, cheguei até mesmo a imaginar que ela tinha casado comigo só pelo meu dinheiro!
Felizmente (ou infelizmente, não sei bem), não o tenho. Aliás, não digo que não restou nada dele, estaria mentindo.
Consegui guardar alguns trocados ao longo da minha vida, antes de conhecê-la, é bem verdade.
Vendi quase tudo, só me restou uma modesta sociedade, uma fábrica de gelo aqui perto do campo de São Cristóvão. Não dá muito lucro, mas no verão, sou um privilegiado, tenho um cantinho pra me refrescar.
Mas voltemos ao que interessa. Não sei se o cafofo onde vivo seria do teu agrado, mas é o que tenho pra te oferecer. Cavalo dado não se olha os dentes, diz o ditado.
Aguardo-o aqui em casa, você tem o nosso endereço.
Qualquer coisa me liga.
Teu primo querido, Fredo.
Zoológico, Campo de São Cristóvão, CEP 20921
Rio de Janeiro, Brasil

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