O HOMEM DA CALOPSITA
Uma manhã fresca, gratificante, prazerosa.Depois de vários dias de um insuportável e causticante calor, um vento plácido e suave, acaricia-me o rosto.
O sol brilha, forte. Sinto sua presença forte, abrasadora, inquietante mas ao mesmo tempo revitalizante física, mental e espiritual durante minha caminhada em volta da Lagoa Rodrigo de Freitas.
O cheiro nauseabundo de peixe morto, em avançado estado de decomposição que, obrigava ciclistas e pedestres a caminhar na ciclovia da Lagoa com um lenço no rosto, havia sumido como por encanto.
O verde forte da clorofila das folhas, contrasta com o azul irretocável do céu. As pequenas garças e os diversos pássaros mergulham em busca de seu alimento, agora escasso, após a Guernica dos peixes imposta pelo descaso de pessoas que nutrem-se daquela beleza natural que acham ser inesgotável.
Enfim, a despeito disso, um quadro perfeito adoça-me a alma, enche-me o espírito de prazer.
Caminho a passos largos, ritmo compassado. Examino cada recanto da minha alma. Percebo que estou calmo, alegre, feliz. Agradeço a Deus e a cada ser humano que participou da construção dessa maravilha de que desfruto. Agradeço àqueles que plantaram a grama, as árvores, aos que construiram a ciclovia, proporcionando-me de alguma forma, sem nem mesmo saber, o prazer de que desfruto agora.
De repente, ouço passos rápidos, pesados.
Olho para o lado, vejo um homem alto, moreno, ostentando seus mais de cem quilos. Veste um short preto, listras brancas na lateral e uma camisa amarela.
No seu ombro direito vê-se um pássaro de cor clara. Exibe uma espécie de coroa de plumagem na cabeça.
É uma Calopsita (Caturra em Portugal, Cockatiel na Inglaterra, Perruche calopsitte na França, Lorito de Copete na Espanha).
De origem australiana, amigável, reproduz sons, assobia, imita palavras. Enfim, um perfeito animal de estimação.
Em determinado momento, noto que aquele homem avantajado, conversa alegremente com o seu pássaro que, por sua vez, parece responder-lhe de alguma forma que não cabe a mim analisar, nem tentar entender, mas apenas aceitar as manifestações da natureza que não inteiramente compreendidas por nós.
O inusitado da cena transporta-me a considerações que transcendem à minha caminhada.
Solidão, amor aos pássaros, perda da capacidade de comunicação com outros seres humanos, ou apenas mais um caso de exibicionismo puro e simples?
Como ele caminha muito rápido, logo perco contato visual.
Encontro-o novamente na curva do calombo, próximo à garagem de remo do clube Botafogo.
Parado, sorri, cercado por diversos pombos que caminham desengonçados, naquela maneira peculiar dos Columba Lívia. Compenetrado, nosso herói conversa com eles.
Interrompo minha caminhada por alguns instantes. Cumprimento-o, reparo que seu semblante se fecha. Responde-me secamente com um grunhido que interpreto como tendo sido um oi. Tento fazer mais algumas perguntas. Ouço como resposta apenas resposta vagas e levemente irritadas.
Percebo que é hora de sair dali. Estou certo de que interrompi aquele seu momento peculiar de prazer. Conscientizo-me de que neste momento de alguma forma sou um intruso num mundo para mim até então desconhecido.
Decido que é hora de me afastar dali e deixá-lo usufruir daquele habitat que parece não admitir a presença de uma outra pessoa não engajada naquele ritual.
O sol brilha, forte. Sinto sua presença forte, abrasadora, inquietante mas ao mesmo tempo revitalizante física, mental e espiritual durante minha caminhada em volta da Lagoa Rodrigo de Freitas.
O cheiro nauseabundo de peixe morto, em avançado estado de decomposição que, obrigava ciclistas e pedestres a caminhar na ciclovia da Lagoa com um lenço no rosto, havia sumido como por encanto.
O verde forte da clorofila das folhas, contrasta com o azul irretocável do céu. As pequenas garças e os diversos pássaros mergulham em busca de seu alimento, agora escasso, após a Guernica dos peixes imposta pelo descaso de pessoas que nutrem-se daquela beleza natural que acham ser inesgotável.
Enfim, a despeito disso, um quadro perfeito adoça-me a alma, enche-me o espírito de prazer.
Caminho a passos largos, ritmo compassado. Examino cada recanto da minha alma. Percebo que estou calmo, alegre, feliz. Agradeço a Deus e a cada ser humano que participou da construção dessa maravilha de que desfruto. Agradeço àqueles que plantaram a grama, as árvores, aos que construiram a ciclovia, proporcionando-me de alguma forma, sem nem mesmo saber, o prazer de que desfruto agora.
De repente, ouço passos rápidos, pesados.
Olho para o lado, vejo um homem alto, moreno, ostentando seus mais de cem quilos. Veste um short preto, listras brancas na lateral e uma camisa amarela.
No seu ombro direito vê-se um pássaro de cor clara. Exibe uma espécie de coroa de plumagem na cabeça.
É uma Calopsita (Caturra em Portugal, Cockatiel na Inglaterra, Perruche calopsitte na França, Lorito de Copete na Espanha).
De origem australiana, amigável, reproduz sons, assobia, imita palavras. Enfim, um perfeito animal de estimação.
Em determinado momento, noto que aquele homem avantajado, conversa alegremente com o seu pássaro que, por sua vez, parece responder-lhe de alguma forma que não cabe a mim analisar, nem tentar entender, mas apenas aceitar as manifestações da natureza que não inteiramente compreendidas por nós.
O inusitado da cena transporta-me a considerações que transcendem à minha caminhada.
Solidão, amor aos pássaros, perda da capacidade de comunicação com outros seres humanos, ou apenas mais um caso de exibicionismo puro e simples?
Como ele caminha muito rápido, logo perco contato visual.
Encontro-o novamente na curva do calombo, próximo à garagem de remo do clube Botafogo.
Parado, sorri, cercado por diversos pombos que caminham desengonçados, naquela maneira peculiar dos Columba Lívia. Compenetrado, nosso herói conversa com eles.
Interrompo minha caminhada por alguns instantes. Cumprimento-o, reparo que seu semblante se fecha. Responde-me secamente com um grunhido que interpreto como tendo sido um oi. Tento fazer mais algumas perguntas. Ouço como resposta apenas resposta vagas e levemente irritadas.
Percebo que é hora de sair dali. Estou certo de que interrompi aquele seu momento peculiar de prazer. Conscientizo-me de que neste momento de alguma forma sou um intruso num mundo para mim até então desconhecido.
Decido que é hora de me afastar dali e deixá-lo usufruir daquele habitat que parece não admitir a presença de uma outra pessoa não engajada naquele ritual.

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